Abordagem cirúrgica de cisto ósseo simples em côndilo
mandibular: relato de caso
RESUMO
O cisto ósseo simples é considerado um pseudocisto, e, quando presente nos ossos da face, acomete, com
maior frequência, a região de corpo e sínfise mandibular de pacientes na segunda década de vida, sendo
raros os casos em côndilo mandibular isolado. É geralmente assintomático, sendo diagnosticado durante
exames radiográficos de rotina. Embora a sua etiologia seja controversa, uma possível origem traumática
pré-lesional é a mais aceita. As formas de tratamentos variam desde procedimentos como acompanhamento,
curetagem até ressecções. A exploração cirúrgica e coleta de material para análise microscópica
são recomendadas para confirmação do diagnóstico. Este trabalho relata um raro caso de cisto ósseo
simples no côndilo mandibular em paciente do sexo feminino, 53 anos, tratada por meio da técnica de
osteotomia vertical do ramo mandibular com condilectomia alta e posterior osteoplastia condilar.
Descritores: Cisto ósseo; Pseudocistos; Côndilo mandibular
INTRODUÇÃO
O cisto ósseo simples (COS) se constitui em uma
lesão incomum, com ocorrência em ossos longos
e gnáticos, embora a maior parte dos estudos não
correlacione uma área à outra. A Organização
Mundial da Saúde define o COS como uma lesão
não neoplásica intraóssea revestida por tecido
conjuntivo, sem a presença de envoltório epitelial,
Rev. Cir. Traumatol. Buco-Maxilo-Fac., Camaragibe v.13, n.2, p. 51-56 , abr./jun. 2013 ISSN 1679-5458 (versão impressa) ISSN 1808-5210 (versão online)
52BATISTA, et al.
por meio de um caso clínico de paciente acometida
por COS em côndilo mandibular direito.
RELATO DE CASO
Paciente de 53 anos, sexo feminino, leucoderma
queixava-se de dores de cabeça na região temporal
do lado direito. Após consulta com um neurologista,
este verificou uma entidade radiolúcida no côndilo
da mandíbula após visualização em Tomografia
Computadorizada (TC) de crânio. A paciente, então,
foi referenciada a um serviço de Cirurgia Bucomaxilo-facial.
Durante anamnese, não foi relatado
pela paciente nenhum episódio de trauma local
ou condições sistêmicas dignas de nota. Ao exame
clínico, a oclusão e o aspecto facial encontravam-se
dentro dos padrões de normalidade, sem limitações
funcionais na abertura bucal, excursões laterais ou
presença de clicks articulares (Figura 1). Solicitouse,
então, TC de face, radiografia panorâmica e
de estudo da ATM, em que foi evidenciada lesão
osteolítica no côndilo mandibular direito, medindo
aproximadamente 2,0 x 1,5 x 0,7cm de diâmetro
(Figura 1 D-E).
o que a classificaria como um pseudocisto1, 2. A
literatura de longa data refere-se à tal manifestação
clínica por uma variedade de sinônimos, a saber:
cisto ósseo solitário, cavidade óssea progressiva,
cisto ósseo simples, cavidade óssea idiopática, cisto
ósseo traumático, sendo esta última a mais relatada
na literatura3, 4.
Apesar de controversa, sua etiologia mais aceita
sugere que o processo seja secundário a uma
hemorragia intraóssea pós-traumática, na qual o
hematoma produzido se liquefaz, resultando em
um defeito ósseo3,5. Outras hipóteses sugerem:
incapacidade do fluido intersticial sair do osso
devido à drenagem inadequada1; lesão prévia
que causaria estase venosa, ocasionando necrose
óssea focal e acúmulo de fluido6; enfartamento
do osso medular; perda de suprimento sanguí-
neo de lesão angiomatosa, degeneração cística
de tumores; bloqueio e alteração da atividade
osteogênica local7,8.
Seu diagnóstico invariavelmente é feito por meio
de achado acidental em radiografias de rotina,
devido ao seu caráter normalmente assintomático,
tendo como característica uma área radiotransparente
bem definida, circunscrita por tênue linha
radiopaca, variando de 1 a 10 cm de diâmetro 2,5.
Quando há envolvimento dentário, observam-se
projeções que se insinuam, de forma recortada,
entre as raízes dentárias, sendo esse um aspecto
altamente sugestivo da lesão, mas não patognomônico5.
Seu acometimento se dá, principalmente,
na segunda década de vida, sendo raros os casos
em indivíduos com menos de 5 anos e mais de 35
anos, tendo os ossos gnáticos um acometimento
menor que 1%, e a mandíbula na região de corpo
e sínfise afetada em 75% 5,9,10, sendo bastante raros
os casos em côndilo mandibular .
Devido a poucos casos relatados na literatura de
ocorrência dessa entidade na região condilar, este
trabalho se propõe a analisar as implicações clínicas
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