Remoção cirúrgica de lipoma de grande proporção:
Relato de caso
Rodrigo Resende I|Mauricio Meirelles II|Rosângela Varella III
I. Mestre em Odontologia pela UFF e professor de Cirurgia Oral do curso de Odontologia da Universidade Gama Filho / RJ.
II. especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial pela PUC/RJ e professor do curso de especialização em Cirurgia e Traumatologia
Buco-Maxilo-Facial da Universidade Gama Filho / RJ.
III. Mestre em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial pela UFRJ e professora de Cirurgia Oral do curso de Odontologia da Universidade
Gama Filho / RJ.
RESUMO
Os lipomas são tumores benignos, originários do tecido adiposo. estima-se que acometem o complexo
oro-maxilo-facial em aproximadamente 13% dos casos. Podem ainda apresentar tamanhos variados e
causar grande incômodo estético. Clinicamente, podem apresentar-se como uma lesão única ou lobulada,
de base séssil e assintomática. Quando intraorais, localizam-se sob a mucosa em cerca de 50% dos
casos. São incomuns em crianças e frequentes em pacientes acima de 40 anos de idade. O objetivo deste
trabalho foi relatar um caso clínico de uma paciente do gênero feminino, leucoderma, 52 anos de idade,
encaminhada ao Serviço de Cirurgia Buco-Maxilo-Facial do Hospital estadual Adão Pereira Nunes /RJ,
apresentando aumento de volume em região submandibular do lado direito, com aproximadamente 11
anos de evolução e 8cm de tamanho em seu maior diâmetro. A paciente foi submetida à biópsia excisional
da lesão, sob anestesia geral, sendo o diagnóstico histopatológico de lipoma.
Palavras–chave: Cirurgia; Patologia; Neoplasia; Lipoma.
Atualmente, com o aumento da violência nas
grandes cidades de diversos países do mundo,
profissionais da área de saúde, lotados em hospitais
de emergência, atendem diariamente as vítimas
das chamadas “guerras urbanas”. O tratamento
das lesões provocadas por armas de fogo torna-se
difícil em função do alto poder destrutivo desses
armamentos,quando comparado com as lesões
oriundas de outras etiologias . (1-4)
Devido ao grande número de mortes envolvendo
pessoas inocentes no Estado do Rio de Janeiro,
em abril de 2008, a Polícia Militar do Estado iniciou
o treinamento de sua corporação para a utiliza-
ção das chamadas armas de munição não letal,
considerando o uso gradual e seletivo da força.
As armas não letais são concebidas e emprega são concebidas e empregadas
para a incapacitação pessoal, minimizando o
risco de mortes e danos indesejados a instalações
patrimoniais e ao meio ambiente. As munições
mais utilizadas são constituídas de cartuchos com
projéteis de borracha macia, na forma de balins,
de calibre 12, normalmente usado em espingardas.
Contrariamente a outras armas que destroem
permanentemente os alvos, elas permitem que os
efeitos sobre eles sejam reversíveis e/ou possibilitem
a discriminação entre alvos e não alvos na área
de impacto (8,9). Quando incorretamente utilizado,
esse tipo de armamento pode levar a óbito. Por esse
motivo, deve ser seguido corretamente seu modo
de utilização, além de respeitar a distância entre o
armamento e o alvo (8).
RELATO DE CASO
Paciente A.R.S.J., gênero masculino, leucoderma,
25 anos de idade, oriundo do Estado de São
Paulo/SP - Brasil, foi atendido no Serviço de emergência
do Hospital Municipal Salgado Filho/RJ, em
decorrência de um ferimento na face, provocado
por projétil de borracha. Todos os procedimentos
de emergência foram adotados de acordo com o
protocolo de ATLS. O paciente referia queixas álgicas
e parestesia do lábio inferior à direita. Ao exame
extraoral, observou-se grande edema em região
parotídea direita, uma ferida pérfuro–penetrante
na região geniana com aproximadamente 3 cm
em seu maior diâmetro correspondendo ao orifício
de entrada do projétil, além de equimose retro -
auricular e otorragia ipsilateral. (Fig. 1). O exame
intraoral revelou desoclusão dentária, limitação de
abertura de boca (em torno de 20mm), creptação
óssea entre aos elementos dentários 44 e 45 e
mobilidade acentuada do processo alveolar na região
correspondente as elementos dentários 46 e 47
(Fig. 2). A tomografia computadorizada em cortes
axiais revelou a presença de dois projéteis ovalados,
junto ao bordo anterior do músculo masseter,
fratura do corpo mandibular direito com grande
deslocamento, efisema subcutâneo e a dispersão
do tecido mole, referente à trajetória do projétil
(Fig. 3). O paciente foi encaminhado ao centro
cirúrgico, sob terapia antibiótica, anti-inflamatória
e analgésica, por via venosa. Sob anestesia geral,
foi submetido ao bloqueio maxilo-mandibular por
meio de barras de Erich e elásticos, e a remoção
cirúrgica dos projéteis (Fig. 4 e 5). As feridas foram
lavadas exaustivamente, com solução de clorexidine
a 2%, seguida de solução fisiológica a 0,9%, e
os bordos aproximados por meio de suturas com
pontos interrompidos, utilizando fio Vicryl® 3-0 nos
planos teciduais profundos e nylon 5-0 na pele.
A oclusão dentária foi reestabelecida e não houve
intercorrências transoperatórias. Em seguida, o paciente
foi transferido para uma unidade hospitalar
de sua cidade de origem.
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