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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dica de Leitura-Ferimento transfixante em criança- relato de caso clínico

Ferimento transfixante em criança- relato de caso clínico

ResuMo Ferimentos penetrantes em região de cabeça e pescoço podem ter morbidade e mortalidade significativos. avaliação rápida e adequadas condições de tratamento iniciais, especialmente no que se refere à estabilidade das vias aéreas e controle vascular, são fundamentais no correto manejo dessas lesões. O presente artigo se constitui em de um relato de caso em criança após acidente transfixante em pescoço e face, buscando trazer uma revisão de literatura sobre o assunto e as diretrizes atuais de tratamento para esse tipo de lesão. Descritores: Ferimento penetrante; Criança; acidentes domésticos. aBstRact Penetrating injuries to the neck and head can have significant morbidity and mortality. Rapid assessment and prompt management of life threatening conditions especially airway and vascular control is essential in early management. The following article it is a case report of a child after accident transfixing neck and face, seeking to bring a literature review on the subject and the current guidelines for treating this type of injury. Descriptors: penetrating injury; child; domestic accidents. ferimento transfixante em criança- relato de caso clínico Transfixing injury in a child- a case report V13N2 intRodução a palavra trauma, do ponto de vista semântico, vem do grego, cujo significado é ferida. Pode ser uma lesão física, causada por ações externas lesivas ou violentas ou pela introdução de substância tóxica no organismo, podendo também ser um dano psicológico ou emocional. Independente de sua melhor definição, o fato é que o trauma é um agravo, que pode gerar várias doenças e representa um problema de saúde pública de grande magnitude e transcendência no Brasil. Tem provocado forte impacto na morbidade e na mortalidade da população, com profundas repercussões nas estruturas sociais, econômicas e políticas de nossa sociedade. entre as causas externas de trauma, incluemse os acidentes e a violência, que configuram um conjunto de agravos à saúde. Outras causas de morbimortalidade, dentre elas, queimaduras, quedas, afogamentos, envenenamentos, intoxicações. No Brasil, em 2010, os óbitos por outras causas externas, excluindo os acidentes de transporte ter- Rev. Cir. Traumatol. Buco-Maxilo-Fac., Camaragibe v.13, n.2, p. 57-62 , abr./jun. 2013 ISSN 1679-5458 (versão impressa) ISSN 1808-5210 (versão online) 58 Vieira restre, responderam por 17,9% do total de óbitos (13,43 óbitos/100 mil habitantes) e as quedas por 7,3% (5,46 óbitos /100 mil habitantes). Os traumatismos, sob todos os aspectos, apresentam grande importância na sociedade atual, estando entre as principais causas de morbi-mortalidade. Dentre as inúmeras lesões ocorridas em centros de traumas urbanos, o traumatismo facial é um dos mais prevalentes1. Lesões penetrantes no pescoço e na face por projétil (arma de fogo) ou não projétil (facas e outros instrumentos afiados) representam uma fonte significante de admissões agudas de civis nas unidades de trauma no Reino Unido, e essa tendência se reflete em toda a Europa2. Crianças e idosos parecem representar um grupo de risco para tais lesões3. Na infância, as causas de violência e a sua prevenção vêm sendo objeto de inúmeros trabalhos nos últimos anos por representarem, atualmente, uma importante causa de morbi-mortalidade infantil. Vários trabalhos nacionais e internacionais apontam os acidentes com corpos estranhos como importante causa de morbidade e mortalidade entre as crianças. À medida que os índices de morbi-mortalidade em crianças por causas externas vieram se destacando ao longo das décadas, a necessidade de políticas e estratégias para minimizar esse problema de saúde pública mobilizou sociedades e organizações. Fisiologicamente as crianças respondem a uma lesão muito diferente dos adultos, dependendo da sua idade e maturação e da gravidade da lesão5. Coletar corretamente a história do acidente, solicitar exames de imagem para investigação, exploração cirúrgica satisfatória e controle constante de infecção são passos muito importantes para se obterem resultados positivos na remoção de corpos estranhos na face6.. Relato de caso Criança T. L. S., 10 anos de idade, do sexo feminino, vítima de queda acidental enquanto brincava em sua residência, próxima a uma área que estava em reforma. Ao brincar sobre os escombros, desequilibrou-se e caiu sobre hastes de ferros de construção que estavam com suas extremidades desprotegidas. O socorro foi aguardado pelo SAMU que providenciou o corte com serras do corpo estranho, sem removê-lo da face da criança, visto que o este encontrava-se travado em posição, havendo o risco eminente de lesão de estruturas vitais e sangramento durante sua remoção. A paciente foi, então, encaminhada ao centro de referência em trauma de sua região, o hospital de urgência e emergência de trauma no município de Campina Grande. Após o atendimento inicial ter sido completado, ela realizou uma tomografia computadorizada de face para afastar qualquer suspeita de fraturas e avaliar a extensão do dano. O procedimento cirúrgico foi realizado sob anestesia geral, para remoção do fragmento de ferro. Após exploração cirúrgica pelas equipes de cirurgia e traumatologia buco-maxilo-facial (CTBMF) e cirurgia vascular, verificou-se que nenhuma estrutura importante foi danificada e posteriormente foi realizado sutura. Foram administradas medicações para controle de infecção (cefalotina) e dor assim como profilaxia antitetânica. A paciente recuperou-se de forma satisfatória, recebendo alta no quarto dia de internação, quando se percebeu um déficit motor nas regiões inervadas pelo nervo facial, embora não tenha sido notado esse dano durante o exame direto na ferida cirúrgica, não significando, entretanto, que ele não tenha ocorrido, podendo ser atribuído esse déficit ao próprio edema pós-operatório.

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