RESUMO
os cistos inflamatórios periapicais representam uma considerável parcela na distribuição epidemiológica
daqueles categorizados como odontogênicos. Estudos mostram que no mundo inteiro cerca de 84% dos
cistos que acometem a região maxilo facial são inflamatórios pariapicais. Seu diagnóstico é realizado pela
associação entre o exame clínico, imaginológico e histopatológico. a terapêutica dessas lesões compreende
desde o tratamento endodôntico dos dentes envolvidos até a sua enucleação cirúrgica. Fatores, como o
estado geral do paciente, tamanho, forma e localização da lesão, são relevantes na tomada de decisões
em casos como esses. Este trabalho tem como propósito relatar um caso clínico de um extenso cisto inflamatório
periapical na maxila e discutir os fatores que levaram a uma abordagem multidisciplinar.
Palavras-chaves: Cirurgia Bucal; Cistos odontogênicos; Cisto Radicular.
Relato de CASO
RELATO DE CASO
Paciente gênero feminino, 24 anos se apresentou
no ambulatório, após uma semana de alta
hospitalar onde foi submetida à antibioticoterapia
endovenosa e drenagem de abscesso na região de
palato duro. Ela referia secreção purulenta pelo
nariz e pelo ponto de drenagem intraoral, odor
forte, dor e incapacidade mastigatória. Relatou,
ainda, que havia iniciado um tratamento endodôntico
no dente 21 que não fora concluído. Ao
exame clínico, como se pode ver na Figura 1a,
observa-se escurecimento do dente 21, discreto
aumento de volume e ponto de drenagem em
palato duro.
A paciente foi encaminhada para a avaliação
da vitalidade pulpar dos elementos anteriores
superiores e exames de imagem. Ao exame tomográfico,
percebe-se imagem sugestiva de extensa
lesão cística envolvendo as raízes dos dentes 12,
11, 21, 22, 23, como se pode observar na Figura
1b. O diagnóstico obtido com a avaliação endodôntica
foi necrose pulpar dos dentes 12, 11,
21 e 22. A paciente foi submetida à limpeza e
instrumentação biomecânica do sistema de canais
dos dentes necrosados, e curativos de demora
à base de hidróxido de cálcio foram realizados
1
b
2
b
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b
2
b
Figura 1a – Aspecto clínico inicial após uma semana de
drenagem do abscesso. Observe o ponto de drenagem
em processo de cicatrização. Figura 1b – Aspecto tomográfico
da lesão, no qual se pode observar a extensão
da lesão, conforme relatado, envolvendo os dentes 12,
11, 21, 22, 23.
durante quatro meses. Após controle da secreção
purulenta, os canais foram obturados pela técnica
convencional.
Devido ao tamanho e histórico da lesão, decidiu-se
por uma associação entre o tratamento endodôntico
e a abordagem cirúrgica. A paciente foi
submetida ao bloqueio troncular do nervo maxilar
bilateral pela técnica da tuberosidade alta, tendo em
vista o conforto do paciente durante o procedimento
e a extensão da lesão. O procedimento foi realizado
em ambiente ambulatorial, preservando a cadeia
asséptica. Iniciou-se o procedimento com incisão
intrasucular pelas faces palatinas, estendendo-se do
dente 15 ao 24. Como se pode constatar na Figura
2a, foi realizado o descolamento mucoperiosteal do
retalho palatino, a delimitação da lesão e disseca-
ção da cápsula cística e a sua remoção.
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